Para refletir
Leitor (a) tem filhos?
Como
agir com eles?
Quem
tem hoje o papel de educar as crianças para a cidadania? Os pais ou a escola?
Nos últimos anos, a escola vem assumindo praticamente sozinha um papel
que, em princípio, não deveria ser só dela. O papel de
educar seus alunos para a cidadania está sendo despejada sobre a instituição
por uma série de motivos. A sociedade mudou, os valores transformaram e muitos
pais ficaram inseguros com relação à formação dos filhos.
Os pais de hoje trabalham mais e passam menos tempo com os filhos. A
mãe, que antes ficava em casa e transmitia valores morais, agora trabalha fora e,
grande porcentagem dos casos é arrimo de família. Quando chegam do trabalho,
ambos estão cheios de culpa pela ausência e, para minimizar esse sentimento,
tornam-se muito permissivos, deixam de estabelecer limites e de ensinar o que é
certo e errado. Por trás de tudo isso há uma insegurança grande, em parte fruto
da crise ética institucional que estamos vivendo no Brasil. No passado, a
família tinha um papel de formação ética do indivíduo. À escola cabia a
transmissão da cultura acumulada (tendo o professor no papel de centro de
conhecimento) e uma parte da formação de hábitos e atitudes.
A escola deve revitalizar a confiança da família no seu
papel de formadora e trazê-la cada vez mais para dentro da instituição. Quando
os pais passarem a se sentir inseguros e culpados por não estar tão próximos
dos filhos, a escola tem que deixar bem claro que não tem condições de fazer
bem as duas coisas. Os conteúdos estão mudando muito rapidamente. O professor
precisa se reciclar, tem responsabilidades profissionais e não pode arcar com
tarefas que são prioritariamente da família. A instituição deve levar os pais a
participar de encontros, palestras, reuniões e troca de experiências com outros
pais, eles saem fortalecidos e sentem que não estão sozinhos nessa luta.
Muitos pais aceitam, mas sempre há os que resistem. Os que delegam toda a responsabilidade aos professores são os que trazem mais problemas. Costumam não aceitar críticas e apoiam os filhos em atitudes indisciplinadas. São os que pedem que não sejam aplicadas provas às segundas feiras para viajar no fim de semana ou sugerem que se enforquem feriados para que seus filhos não corram o risco de perder matéria. Se o pai tem esse tipo de atitude, a escola se enfraquece e o jovem sem limites se fortalece.
Pais e professores devem agir em conjunto. A própria escola tem de mostrar coesão e transparência e trabalhar em equipe. Se um problema de indisciplina é enviado para uma instância superior e a direção abranda, o professor sai enfraquecido. Ninguém pode tomar atitudes isoladas. Por exemplo, aplicar uma prova mais difícil porque determinado aluno é bagunceiro. O planejamento pedagógico, que deve incluir o programa de avaliação, precisa ser claro e seguido à risca. Essa postura gera confiança. O aluno percebe que a escola é séria, bem definida e passa a respeitá-la.
Pais “modernos” que não conseguem dizer não aos filhos, aqueles que tem visão excessiva (superprotetores), alegando que o tempo é escasso e que preferem curtir os filhos em vez de ficar fazendo exigências. Mas esse tempo que sobra é precioso para a formação ética dos filhos. Nessas poucas horas é preciso ter postura. É preciso fazer a criança entender que os pais se ausentam porque estão trabalhando. E que trabalham porque querem dar segurança, saúde e educação aos filhos. A criança compreende isso muito bem. Quando juntos, os pais devem dar atenção, carinho, amor e educação aos filhos.
Não contribuem para essa situação, pais, sejam seguros.
·
Ensinem a criança
a esperar a sua vez;
·
A criança deve entender
que faz parte do seu amadurecimento respeitar os direitos e deveres de acordo
com sua idade;
·
Não deixem que
bata a porta quando a mãe ou pai está chamando sua atenção;
·
Sejam exemplos,
pois, a criança observa e copia aqueles que convivem ao seu redor.
Limites coerentes, no momento certo e bem
dosados, é claro o melhor ponto de partida. Sempre exercitamos esse equilíbrio
entre a liberdade e a responsabilidade e também nossa autoridade como pais. Não
pense que será fácil, mas vale a pena, depois de alguns anos, seu filho será
uma pessoa produtiva, ética e respeitosa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário